sábado, 3 de setembro de 2011


As lendas e a atualidade


Cláudio Emerenciano [professor da UFRN]

As lendas. Sonhos que se confundem com a realidade. Lições que, por toda a vertente dos tempos, projetam magnitude, sensibilidade, perspicácia e capacidade interpretativa da condição humana. O universo dos seus sentimentos. Sempre capazes de elevá-la a planos inalcançáveis e indevassáveis. O desconhecido sempre foi e será o animus, a inspiração, a aventura, a curiosidade e o desafio para o homem superar a si mesmo. Por isso os poetas e escritores em geral, desde Homero, consagram esse âmbito inesgotável. Nele identificaram sentimentos, emoções, ideais, devaneios, ações, ilusões, esperanças e criações de uma dimensão intemporal. Georg Luckács, em sua obra-prima, "A teoria do romance", essencial à compreensão da literatura em todos os tempos, ensina que "A Ilíada" e a "Odisséia", a "Eneida", "As metamorfoses", "A Divina Comédia" e "D. Quixote de la Mancha", amalgamaram ficção e realidade, além de estabelecerem vínculos e padrões na criação literária, escrita ou oral, em todas as culturas e povos.   

Ulisses superou dificuldades inimagináveis para regressar ao seio de sua terra e sua família. Sua epopéia deu conteúdo e forma à "Odisséia". A poética ocidental se inspirou, em termos épicos, na possibilidade da lenda animar e induzir a realidade. Dessa forma, Ulisses se sucedeu e se renovou na História. Não se repetiu. Apenas comprovou que o herói milenar era o mesmo. E, num futuro quase remoto, ousaria pisar o solo, até então inexpugnável, da lua. As conquistas científicas e tecnológicas do nosso tempo foram vaticinadas na literatura. De certo modo, o "admirável mundo novo" no qual vivemos, com suas fantásticas transformações e impactantes alterações nas relações humanas, contradições e perplexidades, tudo emergiu da imaginação, das ilusões e dos sonhos.

No Quênia, onde Ernest Hemingway se inspirou para o seu monumental "As Neves do Kilimanjaro", o processo de independência transcorreu de modo original e invulgar. Jomo Kennyata, africano de formação inglesa, há mais de 50 anos, procurou sensibilizar e conscientizar seus patrícios, de heterogênea cultura tribal, contando-lhes a "Lenda do monte Kênia". Um dia, o elefante fez um pacto com o nativo. Do mesmo modo que o africano não iria caçar, nem pescar, nas áreas de pastagem do animal, este se comprometia em respeitar as áreas adjacentes à sua casa, onde predominava uma agricultura de subsistência. Porém, numa noite, no rigor incomum de chuvas e trovoadas, o elefante veio e destruiu as plantações e a casa do frágil e indefeso homem. Destruiu-lhe tudo. Na simbologia, o elefante era o europeu invasor e dominador. O esbulhado nativo era detentor da cidadania original do lugar. Tinha cultura própria. Povo incrédulo e ingênuo, vítima da exploração por séculos de dominação colonial. Nem tudo cessou. Até agora...

    Esses fatos, nesta era de domínio da Internet e da "aldeia global", singelamente podem explicar a manipulação da opinião pública, através do uso e abuso dos meios de comunicação de massa. Principalmente quando sonegam à população informações para o seu discernimento sobre questões vitais à sua vida, ao futuro do seu país e do planeta. O contraponto atual foi antevisto por Aldous Huxley em "A ilha". Do mesmo modo que egoísmos e insegurança inspiraram Elias Canetti em "Auto de Fé".

Talvez, apesar da resistência de certos meios de comunicação, especialmente no âmbito das redes de televisão, a transmissão oral, boca a boca, ouvido a ouvido, ainda valha a pena. A divulgação e o proselitismo de lendas, que estão na alma do nosso povo e de nossa História, ainda podem ser pedagogia útil, viável e adequada.

    Não será em vão que Ulisses, modernamente, transfigure-se. Reassuma seu heroísmo para clamar por justiça, bom senso, ética e compromisso com o presente e o futuro. As lendas não se repetem. Renovam-se. Atualizam-se ao sabor dos ideais e dos sonhos que, imutavelmente, projetam a grandeza do ser humano. Mudam apenas as circunstâncias. Que sucubem pelo peso dos sentimentos e das relações humanas. O que se clama mais no mundo de hoje? A palavra "humanidade" enfeixa tudo: densidade .
FONTE: TRIBUNA DO NORTE.

Adiamento da análise do veto à distribuição igualitária dos royalties do pré-sal pode favorecer consenso

Adiamento da análise do veto à distribuição igualitária dos royalties do pré-sal pode favorecer consenso



O adiamento da data para a decisão do Congresso Nacional sobre o destino dos royalties da extração do petróleo da área do pré-sal poderá garantir um consenso em torno da polêmica que envolve interesses dos estados, municípios e do governo federal. Com mais tempo para debater, os parlamentares representantes de estados produtores e não produtores de petróleo devem encontrar uma saída conjunta para evitar a derrubada do veto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à proposta de distribuição igualitária dos recursos.

O governo já garantiu que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal, se o veto for derrubado. E o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli admitiu que a possível judicialização da questão poderá atrasar o início da exploração de novas áreas do pré-sal.

O diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa, defende uma solução política negociada para a questão. Para ele, o governo federal deve assumir o controle de sua base aliada no Congresso para impedir que o veto seja derrubado e que a questão vá parar na Justiça.

"Se deixar por um mero critério de interesses de estados e de uma certa demagogia que pode prevalecer, pode até anular toda a remuneração do estado. O Congresso [Nacional] brasileiro não prima pela integridade, pela retidão, pela racionalidade e cabe ao governo federal ter uma posição de mobilização de sua base política parlamentar", avalia.

Pinguelli Rosa defende que a maior parte dos royalties do pré-sal seja destinada aos estados produtores de petróleo, mas não descarta uma remuneração para os demais estados. "Tendo em vista que, no pré-sal, o volume pode ser bastante grande, é possível que se faça uma distribuição de uma parcela para outras unidades da Federação, em particular nas áreas mais pobres como o Norte e o Nordeste".

Mas o especialista critica a tentativa de desviar a finalidade dos royalties, que é a de compensar estados e municípios pela exploração dos recursos naturais em uma certa região. "Eu não vejo como pode se deixar de dar prioridade ao município ou estado produtor. O royalty deve estar dirigido em primeiro lugar para isso".

A discussão sobre a revisão das atuais regras para a divisão dos royalties da exploração do petróleo começou com a descoberta de grandes reservas de petróleo em águas profundas. Governadores e prefeitos de estados e municípios das áreas chamadas de "não confrontantes", ou seja, que não teriam direito aos royalties do pré-sal, começaram a se mobilizar para mudar a legislação.

No ano passado, o Congresso Nacional aprovou a lei que define as novas regras para a exploração de petróleo na camada do pré-sal, incluindo uma emenda que distribui os recursos entre os estados e municípios pelos critérios dos fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios, o que prejudicaria aqueles que são produtores de petróleo. O então presidente Lula vetou essa emenda, mas o veto ainda tem que ser avaliado em sessão conjunta do Congresso Nacional.

Inicialmente, a votação do veto estava marcada para 15 de setembro, mas foi adiada para o dia 22 de setembro e, na semana passada, o governo pediu ao Congresso Nacional que espere até o dia 5 de outubro para votar a matéria.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, se o veto for derrubado pelo Congresso, os estados produtores, como o Rio de Janeiro e Espírito Santo, perderiam cerca de R$ 6,7 bilhões e os municípios desses estados ficariam sem R$ 3,4 bilhões.

Fonte: *Agência Brasil


No RN, apenas 6% dos presos estudam


No RN, apenas 6% dos presos estudam



Margareth Grilo
Repórter Especial

Dos 7.582 presos do Rio Grande do Norte - incluindo os que estão detidos em Delegacias de Policia Civil - apenas 413, ou seja, 5,44% , estão em sala de aula. Estudam séries iniciais ou finais do ensino fundamental;  ensino médio ou estão na Alfabetização de Jovens e Adultos. A baixa proporção de presos deixa à mostra a dificuldade de efetivar, com sucesso, uma política educacional nos presídios.
emanuel amaralNo Presídio Estadual de Alcaçuz, o maior do RN, aulas são ministradas em salas improvisadasNo Presídio Estadual de Alcaçuz, o maior do RN, aulas são ministradas em salas improvisadas

Segundo dados da Subcoordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Sueja), da Secretaria Estadual de Educação houve retrocesso no estado. Em 2010, 450 presos, em média, estudavam em presídios e Centros de detenção provisória. Os dados da Sueja divergem dos oficiais, disponibilizados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Segundo o Depen,  em dezembro de 2010, o estado era o sexto pior em proporção de presos que estudavam à época. Estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes, a partir de dados do Depen, mostrou que em dezembro/2010 o percentual era de 2,4%. Na época, dos 6.123 presos um total de 147 criminosos estavam estudando.

Este ano, a Sueja não conseguiu implantar turmas no Presídio Estadual de Parnamirim (PEP); na Penitenciária Federal de Mossoró; no Ceduc e nos CDP's do Parque Industrial, em Parnamirim, e da zona Norte. Mesmo no Centro de Reintegração Social, em Macau, que usa a metodologia da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) e foi criado para ser referência, nenhuma turma foi  aberta este ano.

Desde o início de julho, a lei 12.433 prevê a remição de pena por estudo. Os sentenciados garantiram o direito de abater um dia de pena a cada 12 horas de frequencia escolar.   Os maiores obstáculos para uma ampla oferta do ensino em prisões está no fato de que o acesso a esse serviço é visto como "privilégio" e não como direito, segundo a técnica da Sueja, Rosa de Fátima Oliveira, que coordena parte da educação prisional. "A maior dificuldade, se constitui num desafio mesmo, é a concepção do que seja o ato de cumprimento da pena. Se cumprir a pena é fechar o cidadão numa cela ou se é reeducá-lo, prepará-lo para ele conviver em sociedade e retomar sua vida", afirma. Falta, disse ela, compreensão.

Os principais problemas são a falta de estrutura adequada e de pessoal. Nenhum dos presídios do estado são construídos prevendo essa assistência educacional. "Com exceção do presídio de Caicó, onde foram construídas salas de aula, não existe espaço específico adequado para que se ofereça a educação minimamente", disse a técnica.

Apesar disso, a lei a 12.245, de 24 de maio de 2010, que altera o art. 83 da Lei no 7.210, de 11 de julho de 1984 - Lei de Execução Penal -  autoriza a instalação de salas de aulas nos presídios. Pela lei, devem ser instaladas salas de aula destinadas a cursos de ensino básico e profissionalizante em todos os presídios do país.  Também há deficit de agentes penitenciários para auxiliar nesse o trabalho dos professores, fazendo a vigilância nas salas de aula e o deslocamento dos presos do pavilhão até a sala de aula.

A escassez de professores também é outro problema. Hoje, o programa trabalha com apenas sete professores da rede e 13 estagiários contratados pela Escola de Governo. "Há alguns critérios básicos para que esses professores sejam contratados e nem sempre nas cidades onde oferecemos o trabalho tem estagiários com as licenciaturas para as quais nós precisamos ofertar a educação aos apenados", explicou Rosa. Ela considera que a mentalidade dos gestores dos sistema penitenciário já mudou nos últimos anos, mas o estado ainda está longe de proporcionar um acesso amplo  na educação prisional. "Para que aconteça a contento, é preciso que ter interesse das pessoas em realizar o trabalho, uma organização e um espaço destinado". Ela disse que isso aconteceu em Caicó, onde a educação prisional é referência.

Analfabetismo chega a 14% nas cadeias do RN

A demanda por educação é muito maior do que a oferta. Em dezembro de 2010, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen),  51,90% dos presos do Rio Grande do Norte não possuíam o ensino fundamental completo. Desses, 14,01% são analfabetos. No presídio estadual de Alcaçuz, a história de vida dos presos confirmam essa estatística.

Atualmente, 60 presos estão matriculados na alfabetização. O coordenador do Sistema Penitenciário do Rio Grande do Norte, José Olímpio da Silva José Olímpio, reconhece que ainda é pequeno o número de presos que estudam, mas diz que o estado tem feito esforços para aumentar a reinserção social. Ele acredita que a ressocialização é possível, em boa parte dos casos.

"Pela experiência que já temos, os projetos de educação ajudam a mudar a vida para os que querem essa ressocialização. Mas quem tem índole de crime não muda". Segundo ele, os que mais progridem nos estudos são aquelas pessoas presas por crimes passionais. Mais de 90% são ressocializados. É a mesma opinião do diretor do presídio de Alcaçuz, Marcos Antônio de Oliveira Lisboa.

O alfabeto, até bem pouco tempo, era desconhecido  para Francisco das Chagas, 38 anos. Ele começou a menos de um mês. "Já peguei a turma na metade, não sabia nem pegar no lápis, mas já aprendi muito", contou. Em Alcaçuz, menos de 15% dos matriculados estão estudando. A atividade era um caça-palavras, que Francisco procurava completar. Ele cumpre pena há 4 anos, condenado por homicídio.

Na mesma sala, Genilson Vicente da Silva, 37 anos, já estuda há mais tempo: 8 meses. "Não sabia ler, hoje já identifico os nomes, faço meu próprio nome e o nome dos meus filhos. Vou poder recomeçar a vida bem melhor", disse esperançoso. Por assaltos, Genilson foi condenado a 43 anos. Está em Alcaçuz há dois anos. Quem estuda, como ele, espera poder usufruir da nova lei.

"É uma boa esse benefício, para quem quer alguma coisa com a vida", disse Maurício Barbosa da Silva, 38 anos. Em Alcaçuz há dois anos, cumprindo pena de 13 anos e 9 meses, por homicídio. Como a maioria, não frequentou a escola. "Tinha que ajudar meu pai na roça. Nunca tive oportunidade de ir à escola. Hoje já sei fazer uma cartinha pra minha filha". Ele espera sair em, no máximo, dois anos e acredita que a vida, fora do presídio terá boas perspectivas.

No EJA (Educação de Jovens e Adultos), sala ao lado da Alfabetização, Oswaldo Pereira de Aguiar, 57, condenado a 40 anos pelo assassinato da menina Maisla Mariano, em 2009, está na sala de aula "para não perder a prática dos estudos e não esquece ro que já aprendeu". Antes de chegar ao Rio Grande do Norte, estou até a 5ª série. Era ambulante, quando foi preso em Natal. "melhor está aqui, estudando do que lá fora ouvindo certo tipo de conversa".

Se tiver liberdade, disse, não pretende ficar no estado. "A não ser que apareça o legítimo criminoso, não vou poder ficar por aqui", revelou. No Rio Grande do Norte, o trabalho de educação prisional começou em 1979, por iniciativa da Pastoral Carcerária, da Arquidiocese de Natal.

Bate-papo

Joseti Alves Moreira  » Professora no Presídio Estadual de Alcaçuz

Licenciada em Matemática, Joseti ensina na educação prisional desde 1978. Atualmente, dá aulas para presos do Presídio Estadual de Alcaçuz. Confira a entrevista.

Está realizada com esse trabalho?

Muito. No Estado, eu estou há dois anos pra me aposentar,  e não quero. É um trabalho sério, muito bom, e que precisa de alguém à frente, que puxe o trabalho. A ressocialização é possível,  se tiver apoio.

Algum dos seus alunos chegou a ingressar no ensino médio ou universidade?

Tenho alunos que hoje são professores. Tem um que é professor da rede estadual. Quando pego um aluno que começa a ler as sílabas, isso é muito gratificante.

O que precisa para a educação ter sucesso?

Primeiro, o preso precisa, primeiramente, acreditar. E a sociedade também. Agora, o mais importante também não é feito. Quando o preso sai daqui como ele vai fazer, que apoio ele tem? Nenhum. Hoje, ele está aqui no presídio está tudo muito bom, está contido. Mas quando ele chegar lá fora, ele não vai encontrar apoio. O sistema obriga ele voltar. Você colocaria um jardineiro, sabendo que ele é um traficante ou assaltante na sua casa para cuidar do seu jardim?

Em algum momento teve medo de entrar nos presídios para ensinar?

A minha família não aceitava não. Meu pai nunca gostou. Meu avô que era sargento da Polícia Militar não gostava nem um pouco. Mas eu fui assim mesmo. Eu não temia. Apesar de muita gente fazer medo. Mas nunca tive problema com nenhum preso. Tive assim, eu muito jovem então dois presos se apaixonaram por mim. E eu tirei eles da lista. Disse, então, não dava certo. Não estou aqui para me envolver com vocês, estou aqui para lhe ajudar. Mas nunca tive medo.

E hoje?

Este ano, minha filha fez o curso de alfabetização e veio ensinar aqui. Eu disse a ela que se para o meu currículo tinha sido bom, para o dela também ia ser. Então deixei que ela viesse. Mas por ela eu temi. Não sei porque. Mas graças a Deus, do jeito que eles me trataram, quando jovem, trataram ela, com muito respeito.

Você diria que houve avanço ou retrocesso?

No caso de Natal, foi um retrocesso grande, imenso. Principalmente, aqui no presídio de Alcaçuz está praticamente parado. Começa pela dificuldades de os professores quererem vir, a localização, como chegar até aqui. Eu tiro uma parte do meu salário para fazer alguma coisa pela sala de aula. Eu sei que é obrigação do estado, mas eles não fazem. Então, como eu quero ensinar aqui - porque ensinar aqui está melhor do que ensinar lá fora. Quem está muito bem, é Caicó, e só. Mas é pelo seguinte: todos os segmentos estão juntos para que tudo continue. Há boa vontade.

Como é o comportamento do aluno no presídio?

Aqui, os presos têm a noção de que devem aproveitar o tempo que perderam quando fugiram da escola. O cuidado e o respeito que eles tem conosco é imenso. Na escola da rede, quando os alunos eram agressivos, grosseiros, eu comentava que nunca tive por parte de aluno dentro de uma unidade penal o desrespeito.
FONTE ; TRIBUNA DO NORTE.

Rosalba descarta concessão de aumento em setembro

Rosalba descarta concessão de aumento em setembro

Publicado em 03/09/2011, às 20h05
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Rosalba descarta concessão de aumento em setembro
Foto: Aldair Dantas
Rosalba Ciarlini afirma que não há prazo para convocar os aprovados nos concursos da Polícia
A governadora Rosalba Ciarlini descartou a possibilidade do Executivo começar a implantar o reajuste do funcionalismo público a partir deste mês. Segundo ela, o Governo fará agora a convocação de cada categoria para negociar como serão implantados os planos de cargos e salários que estabelecem aumentos, mas sem data para as aplicações.

"Na realidade a interpretação (do acordo feito com servidores) é que a partir de setembro quando tivesse toda avaliação iríamos continuar as negociações, analisar e ver como podemos avançar nos planos de cargos e salários", ponderou a governadora.

Ela disse que a análise será feita a partir de agora com a participação de representantes do Governo e das categorias de servidores públicos. "Vamos começar a convidá-las (as categorias) para sentar à mesa e veja como tudo isso será possível", destacou.

Rosalba Ciarlini manteve a informação de que não há qualquer prazo para convocar os aprovados no concurso da Polícia Civil e Militar. "Quanto a isso não há novidade porque nós estamos com a Lei de Responsabilidade Fiscal nos impedindo. Embora tenha necessidade e minha vontade seja muito grande de convocar, mas só posso fazer se tiver como pagar. Não adianta ao mesmo tempo que crie condição de convocar não ter meio de fazer o seu pagamento pelo trabalho justo", ponderou.

As declarações da governadora Rosalba Ciarlini de que os planos de cargos carreiras e salários dos servidores públicos não começarão a ser implantados a partir de setembro frustra as categorias dos servidores públicos. No primeiro semestre de 2011, oito categorias, entre elas servidores do Detran e da Fundac, da Secretaria Estadual de Saúde, Central do Cidadão e Emater, além de médicos e professores, deflagraram greve protestando contra o não cumprimento dos planos de cargos que definem aumentos salariais.

As leis, prevendo os reajustes dos servidores, foram aprovadas ainda no ano passado pela Assembleia Legislativa e sancionadas pelo então governador Iberê Ferreira. A justificativa da governadora Rosalba Ciarlini para não implantar foi orçamentária, já que o Executivo, no primeiro quadrimestre de 2011 se manteve acima do limite total da Lei de Responsabilidade Fiscal. O Governo conseguiu finalizar as greves dos servidores afirmando que os planos seriam executados a partir do mês de setembro.

A expectativa agora é para a publicação do balanço do segundo quadrimestre de 2011. O secretário chefe da Casa Civil, Paulo de Tarso Fernandes, disse ontem que ainda não há qualquer finalização. "Os números estão sendo fechados", destacou. O auxiliar de primeiro escalão reconheceu que, com a decisão do Tribunal de Justiça que determinou ao Governo aplicar os reajustes aos defensores públicos, a questão dos aumentos salariais deixa de ser jurídica, com impeditivo da Lei de Responsabilidade Fiscal, para ser orçamentária. "O Governo quer implantar agora os planos", disse o secretário.
Tribunadonorte

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Autores querem mudança nos critérios de seleção de livros didáticos destinados a escolas públicas

Autores querem mudança nos critérios de seleção de livros didáticos destinados a escolas públicas


Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Os autores de livros didáticos enviaram ao Ministério da Educação (MEC) carta sugerindo mudanças nos critérios de seleção das obras que fazem parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Com base em pareceres que excluíram alguns livros do programa, eles questionam algumas regras do processo e pedem mais objetividade nos critérios de escolha.
O PNLD distribui livros didáticos, de todas as disciplinas, aos alunos de escolas públicas de 98% dos municípios. Para 2012, foi realizada a maior compra desde o início do programa: 162,4 milhões de exemplares ao custo de R$ 1,1 bilhão. O governo é hoje o maior comprador de livros no país e ter uma obra excluída do PNLD traz prejuízos à carreira de um autor.
A Associação Brasileira dos Autores dos Livros Educativos (Abrale) questiona, principalmente, o fato de algumas obras que foram aprovadas em edições anteriores terem sido reprovadas na seleção para 2012. Na carta enviada ao ministro Fernando Haddad, constam pareceres divergentes de uma mesma obra, sem que, no período, houvesse mudanças nos critérios de aprovação.
Os livros são avaliados por comissões formadas nas universidades federais. As editoras entregam o material descaracterizado, para que o parecerista, que faz a avaliação, não saiba quem são os autores. Os especialistas determinam se as obras podem ou não fazer parte do programa a partir de critérios como a adequação ao currículo.
Outros aspectos são levados em consideração. Por exemplo, livros que incentivem o preconceito ou discriminação a um público específico devem ser excluídos. Em seguida, as escolas recebem um guia do livro didático com os títulos disponíveis e escolhem as obras que querem receber.
“Ao longo dos 15 anos de existência do programa, [eles] aumentaram o número de critérios pedagógicos que dão margem à subjetividade. Queremos que eles [critérios] sejam poucos, transparentes e amplamente discutidos. A objetividade absoluta é impossível de ser alcançada, mas é preciso criar mecanismos para diminuir a subjetividade ao máximo”, defende o presidente da Abrale, José de Nicola Neto.
Segundo ele, obras que foram aprovadas no PNLD de 2009 e estão em uso nas escolas foram “simplesmente esculhambadas” na avaliação para 2012.
Outro ponto que a entidade questiona é o anonimato dos pareceristas, que só são conhecidos ao final do processo. Segundo o MEC, esse procedimento é feito para evitar que os avaliadores sejam assediados pelas editoras para favorecer alguma obra específica. Mas, para a Abrale, ele deixa o processo menos transparente.
O ministério informou que os questionamentos feitos em relação a pareceres específicos estão sendo apurados pela Secretaria de Educação Básica nas comissões das universidades. A Abrale diz que não recebeu nenhuma reposta sobre as mudanças propostas.
Nicola defende que o PNLD é “a política mais importante que já foi feita na educação”, mas pede que seja composta uma comissão para “avaliar a avaliação”, com a participação dos professores que recebem as obras e os autores dos livros. “Livro comprado com dinheiro público, assim como qualquer outro material, tem que passar por critérios. Nós somos a favor da avaliação, tanto que queremos a avaliação da avaliação e o governo não quer isso. O PNLD é composto por três partes que precisam sempre estar na mesa discutindo: o MEC, as comissões de avaliação e as editoras com os autores”, diz.
Para o PNLD 2012, foram adquiridos 2.108 títulos para alunos dos ensinos fundamental e médio. Vinte e quatro editoras tiveram obras selecionadas. A Editora Ática será a maior fornecedora com 33 mil exemplares, ao custo de R$ 194 milhões. Em seguida, aparecem as editoras Saraiva, que receberá R$ 205 milhões por 30,8 mil exemplares, e a Moderna, com 30,6 mil publicações ao custo de R$ 220 milhões. As menores fornecedoras são as editoras Fapi e Aymará, com 5 mil e 1,4 mil exemplares, respectivamente.
Edição: Lana Cristina
  FONTE: AGÊNCIA BRASIL.

Dilma anuncia programa de incentivo à popularização da leitura

Dilma anuncia programa de incentivo à popularização da leitura


Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A presidenta Dilma Rousseff anunciou hoje (1) um programa para fomentar a produção e comercialização de livros baratos e estimular a leitura, durante a abertura da 15ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro hoje. O programa está sendo formulado pelo Ministério da Cultura e a Biblioteca Nacional.
“Temos que trazer para o primeiro plano a necessidade de educação e cultura para o nosso país”, disse a presidenta. Ela lembrou que o governo tem procurado ampliar o acesso da população à educação de qualidade, em todos os níveis e citou ações que estão em curso, como o Plano Nacional do Livro e Leitura e o Vale Cultura.
Ela disse também que é preciso outro grande incentivo, que é o acesso ao livro, seja o livro clássico, seja o livro digital, com o qual a presidente disse estar se acostumando. E destacou a necessidade de a produção de livros ter preços adequados. Dilma acredita que essa iniciativa vai criar um “mercado imenso” de novos leitores no Brasil.
A presidenta disse que a Bienal do Livro ajuda a fortalecer a educação e a cultura no Brasil e para mostrar a importância do livro e da leitura citou o escritor Mário Quintana. “O livro traz a vantagem de a gente estar só e, ao mesmo tempo, acompanhado”.
A presidenta também falou de programas sociais e de infraestrutura. “Acredito que um país precisa de estradas, portos, pontes, aeroportos, escolas, hospitais, bibliotecas. É preciso que haja o fim de dicotomias. Uma delas, desfeita pelo governo federal, afirmava que não era possível crescer e em paralelo, distribuir renda. Nós tiramos da pobreza milhares de brasileiros”. Segundo ela, até maio passado, 39,5 milhões de pessoas haviam saído da situação de pobreza.

Edição: Rivadavia Severo
fonte: Agênica Brasil.

Choro é destaque na noite de domingo no Cena Contemporânea

Choro é destaque na noite de domingo no Cena Contemporânea



Brasília - A 12° edição do Festival Internacional de Teatro de Brasília, o Cena Contemporânea, dedica ao choro, na noite de domingo (4), um espaço especial dentro do evento artístico cultural. Às 22h30, o grupo Choro Livre se apresenta no Museu Nacional da República.
O choro ou chorinho como é conhecido, é um gênero musical tipicamente brasileiro que surgiu no Rio de Janeiro por volta de 1870 e tem origem em estilos musicais como a polca, o maxixe, o tango, o lundum e o samba.
O Choro Livre, referência nas noites brasilienses, é formado, em sua maioria, por músicos da capital federal que tiveram seus primeiros contatos com o choro na Escola de Choro Raphael Rabello,  pioneira no ensino do chorinho em Brasília. A escola é a realização do sonho do bandolinista Henrique Santos Lima, o Reco do Bandolim, que viu a necessidade de ensinar e preparar futuros chorões para perpetuar esse estilo musical, que segundo ele, é o berço da cultura brasileira.
Reco do Bandolim, que chegou a Brasília ainda pequeno, cresceu na cidade e descobriu a vocação da capital federal para o choro. Tocava na noite e passou alimentar o sonho de fundar uma escola de música. “Não foi fácil, eu falava com um e outro para tentar mostrar meu projeto e conseguir algum apoio. Foi com muita luta que consegui realizar esse sonho”, disse.
O choro veio para Brasília trazido pelo presidente Juscelino Kubitschek, que costumava convidar músicos cariocas a fim de se apresentarem para grupos de amigos. Jacob do Bandolim, que tocava em saraus acompanhado de alguns chorões, também contribuiu para o surgimento do choro em Brasília.
As apresentações ocorriam na casa dos próprios chorões e, mais tarde, no vestiário no Centro de Convenções, local cedido pelo então governador Elmo Serejo Farias. Só em 1977 foi inaugurado o Clube do Choro, onde os músicos passaram a se apresentar.
O professor Fernando César, que toca desde os 11 anos de idade, disse que o amor pelo estilo musical veio com o pai, seu grande incentivador. “Comecei com o cavaquinho, foi o meu pai que me incentivou a tocar. Já me apresentei em vários países, a mais recente na República Dominicana”, declarou. “Alguns alunos chegam aqui, na escola, sem ter muita noção do instrumento e, mais tarde, tornam-se grandes músicos. Alguns deles tocam hoje no grupo Choro Livre e dão aulas aqui”.
 
Edição: Aécio Amado
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.